24 de set. de 2009

Como seria agradável...




Vasculhou a enorme bolsa marrom atrás de alguns comprimidos. Pegou um frasco qualquer e retirou duas cápsulas coloridas, as quais engoliu com um pouco d'água. A cabeça doía, um nó na garganta a sufocava, sentia o peito comprimido, apertado e as lágrimas desciam indecorosamente. Passou a mão pelo rosto numa frágil tentativa de interromper o transbordamento de algo que estava contido num compartimento bem secreto. A voz ficou fraca, fina, era quase impossível disfarçar o choro. Estava sem saída, não havia ninguém que a substituísse para que pudesse ter a dignidade de esconder os olhos inchados e vermelhos na imensidão escura do seu quarto. Tomou as cápsulas, apagou a luz do escritório e enconstou a porta, deixando uma quantidade ínfima de claridade. Desligou o computador, debruçou-se sobre a mesa, fechou os olhos agora apenas úmidos e esperou calmamente o efeito da medicação. Adentrou então por uma escuridão sem fim e sentiu-se leve, ficava estranhamente a vontade no escuro. O silêncio negro serenou seus questionamentos e o corpo ficou mudo, nada mais sentia. Por um instante pensou em como seria agradável morrer em uma quinta-feira nublada, no comecinho da primavera...

2 comentários:

Trilho, trago e assopro no ar.. disse...

Quanta amargura!

Já tive tantos dias assim, dias de trevas.

Taffarel Brant disse...

ficou MA-RA-VI-LHO-SO!
:O

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