Você estava na festa da nossa turma. Eu não te vi, nem imaginei que você estaria lá. Você não gosta de multidão, não gosta de som alto, não gosta nem da iluminação de lá, mas você foi. Você foi me ver, foi o que me contaram, foi ver como é que eu estava sem você. Dizem que você não gostou do meu sorriso escancarado, do cabelo novo e muito menos das unhas pintadas de vermelho. Não combinam com ela, mais uma vez suas tentativas de se justificar. Mas você não foi capaz de perceber que te procurei, que olhei mil vezes para o celular na esperança de você querer falar comigo pelo menos mais uma vez e que em meio aos meus devaneios fechei os olhos por uma fração de segundo quando a banda tocou Se eu parasse o tempo ali, e eu não tivesse mais que ir, você me acompanhava, e me daria a mão? e pensei qual seria a razão para desperdiçarmos oportunidades raras como aquela. Você me viu com ele e disse para quem quisesse ouvir que aquilo não duraria mais que duas semanas, que esse era normalmente o tempo que eu levava para me entediar com algo. Então, você balançou a cabeça, virou-se e tomou um rumo qualquer. E eu lá, com o maxilar dolorido de tanto sorrir para as palavras bobas dele, com os poros entupidos de tanta maquiagem para disfarçar a cara amassada de choro e aquele copo na mão me segurando para que eu não despencasse daqueles saltos de 12cm. Você dormiu sozinho de cara amarrada que eu sei, não precisa negar. E eu não tive forças nem para trocar a roupa da festa, fiquei ali no chão do quarto, olhando as estrelas que você colou no teto. Contei todas as estrelas, vinte e nove estrelas, cada uma para cada coisa que tinhamos em comum (só as coisas engraçadas, senão todo o teto do apartamento seria um imenso céu estrelado). Não, amor, não dá para continuar desse jeito. Era interessante e intrigante no começo, posso garantir que me diverti muito, mas quando é que vamos parar com esses joguinhos?
Humpf
Há 4 semanas


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