31 de ago. de 2009

De vez em quando...



A cama, sarcástica e impiedosa, não a deixa esquecer que ele foi embora. E o espaço dele ainda está lá, vazio. Aquele lado direito da cama, que ela gostava tanto de invadir para dormir agarrada a ele. Mas agora ela se encolhe toda no seu lado e a cama se torna uma imensidão de solidão, um vazio sem fronteiras geográficas que a invade num claro sinal da falta que ele faz. A saudade é a presença da falta, ela ouviu em algum lugar há muito tempo, mas nunca imaginou que um dia esse clichê faria tanto sentido como faz agora. Então, de vez em quando ela dorme no chão, de vez em quando no sofá e é quando estranhamente não se sente sozinha...
30 de ago. de 2009

A carona




Aquela não era um sábado típico, o relógio não marcava nem cinco da tarde e ela já tinha largado o serviço. O motivo? Foi trabalhar mais cedo e dispensou a academia para rever uma amiga da época da faculdade. (Numa dessas grandes coincidências que nos levam a crer que o mundo é mesmo pequeno, a amiga arrumou um namorado que era de uma cidadezinha do lado da dela). Pois é, sábado, solzinho da tarde e lá foi a moça rumo a cidadezinha do namorado da amiga. Pois bem, eis que assim que ia pegar a estrada, viu um rapaz no ponto de ônibus. Ele deu um sorriso meio sem graça e ela olhou. Diminuiu a velocidade, olhou o rapaz através do retrovisor e pensou "porque não?" Motivos com certeza não lhe lhe faltavam, afinal nem mesmo a cidadezinha fim de mundo na qual ela morava era mais um lugar pacato. E sem contar que o rapaz era realmente um estranho. Ele podia ser um tarado (nossa, que perigo), uma pessoa incoveniente (daquelas que se acham donas da verdade ou que ficam super amigas depois do primeiro oi) ou mesmo um bandido fugindo de algum assalto (bendita imaginação!!!). Mas a moça para variar era uma daquelas que ainda acredita nas pessoas e apesar de um certo receio, fez o retorno e apanhou o moço(afinal nada como dar uma carona para um desconhecido para fechar com chave de ouro aquele sábado atípico). Conversaram amenidades, a moça mais calada, de olho na estrada e o rapaz ali, falando de religião, da família, de Ouro Preto... Em menos de vinte minutos chegaram a outra cidadezinha e ele ainda foi pedir informações na rodoviária para ajudá-la a chegar no tal endereço. E por lá, ele pegou o caminho dele e ela seguiu o seu. O nome dele? Não, ela não sabe, nenhum dos dois se ateve a isso. E lá foi a moça, com a estranha sensação de que algumas vezes era bom estar acompanhada...
29 de ago. de 2009

DESEJO




A noite invade o quarto
Languidamente a penumbra desliza pelas frestas da janela
Uma janela nua, com vidros transparentes e sem cortina
Melifluamente o silêncio toca a cama
Uma cama grande e vazia , sedenta de vida
Eles entreolham-se
Os olhos fitam-se numa conversa eloquentemente muda
E eles sabem que nenhum disfarce é capaz de silenciar palavras não ditas
Não há mais o que esperar
Os corpos são agora uma só vontade
Um só sentido
DESEJO
Inexoravelmente desejo...
24 de ago. de 2009

Vem...

Vem e me machuca... Me bate, me espanca, me maltrata. Vem, que quero sentir a lâmina fria entrando pela pele, deixando em cada parte do corpo o sinal da sua presença. Vem que as marcas roxas que tenho já começam a desaparecer e as cicatrizes começam a perder a sua grandiosidade. Vem e me machuca... Não preciso de sutilezas, de palavras de carinho e outras levezas quaisquer (não pedirei a você o que não pode me dar e sabemos que a falsidade de um peseudo-relacionamento não é capaz de alimentar o nosso desejo). Quero sentir toda a sua fúria na palma da sua mão com tamanha rispidez e indiferença, para que o simples gesto de tocar-me seja suficiente para fazer com que meu corpo estremeça e minha pele gele. Vem que quero sentir mais uma vez o gosto amargo e quente na boca do sangue correndo entre os dentes. Vem e me machuca, me deixa em carne viva, com as feridas expostas numa vã tentativa de retratar o que um dia possa ter sido alguém. Vem, me machuca, me bate, me espanca, me maltrata... Não se contenha, não se detenha, não racionalize, me machuca e me maltrata como se fosse a última coisa a ser feita na vida. Você sabe que preciso disso, preciso e quero sentir no corpo o dano que você provocou na minha alma. Quero que o corpo seja capaz de calar a alma e que esta possa então dizer ao coração que finalmente já não mais sentirão nada. Vem, vem, me machuca... Pare de pensar e imaginar o que pode parecer, o que vão pensar, se estou ficando louca. Você sabe muito bem que é a lucidez que suplica e implora pela dor. E você sabe que é quando estou em carne viva que consigo enfim me levantar e seguir em frente. Por isso, vem, não demore, por favor. Me machuca e me maltrata e tenta calar a dor da minha alma...
22 de ago. de 2009

(Quase) Outra vez

Já conheço esse sentimento, essa dor, essa insegurança, esse tudo e nada ao mesmo tempo (isso não é novidade para mim, é caminho com todas as curvas mais que bem analisadas). E me conheço o suficiente para saber que não quero voltar a essa estrada nunca mais, corri nas direções contrárias tantas vezes que não imagino que atalho você criou para que mais uma vez tudo fosse a mesma coisa, mesmo parecendo que era diferente. Ah, doce ilusão! Não há quem enganar, afinal eu e você somos mesmo assim, tudo e nada, início e fim, certeza e indecisão, paixão e indiferença, desejo e desatenção, agora e nunca mais... E qual é a lógica mágica do universo que insiste em fazer com que a minha estrada chegue até você? Não me importa o que for, é na direção contrária que devo ir, mesmo que não queira, mesmo que não deseje, vc não me deixa outra opção... Afinal, pq voltou se não é para ficar?
20 de ago. de 2009

Ele, ela, eles...



Ela ainda não sabe.
Eles , os outros dois, não fazem a menor idéia.
Ele também não.
Mas se você reparar vai notar um brilho diferente no olhar nos dois quando estão juntos.
E o jeito estranho como se tratam, tentando manter uma certa distância, é na verdade, uma linha tênue entre os dois mundos.
E ela e ele ainda não sabem.
Eles, os outros dois, nem imaginam que ela vai embora.
E ela não vai avisar, não vai se despedir.
Ele e ela, não, ninguém imagina, ninguém cogita.
Nem ela, nem ele, nem eles , os outros dois.
Mas vai acontecer, já sinto o cheiro de terra molhada.
E quando essa chuva chegar, ah, quando essa chuva chegar...
Pingos grossos e pesados de uma água tão desejada para anunciar que a ponte para os erros do passado caiu.
Sim, será hora de outro caminho...
Caminho inesperado, nunca imaginado e completamente desconhecido.
Mas com ele, dessa vez ela não terá medo de caminhar no escuro...
18 de ago. de 2009

Sol, chuva, as quatro estações...




O sujeito chegou sem maiores pretensões a drogaria e pediu uma simples Dipirona. Ok, um pedido normal.

- Mais alguma coisa senhor? (bendita pergunta, mas infelizmente, tratando-se da agilidade do atendimento, não seria possível/bonito dizer: o senhor necessita de mais algum produto do nosso mix?)

- Sol, chuva, as quatro estações no seu devido tempo, que o ser humano se torne mais humano... (resposta inspirada, dita num ritmo tão suave, que poderia até virar uma musiquinha para ninar criança).

- Quando o senhor conseguir alguém que lhe atenda estes pedidos, não esqueça, por favor de pedir para mim, um marido jovem, mas podre de rico, educado, de boa família, inteligente (mas mtoooo inteligente), bem humorado, engraçado, dvertido, que saiba conversar sobre assuntos variados (não, futebol e mulher não são assuntos variados) e com um mínimo de sensibilidade e beleza (pq Deus me livre e guarde de homem tipo galã da novela das nove, que não perde uma oportunidade de discutir a relação e sempre que pode deixa as lágrimas rolarem feito cachoeira).

(Mais uma daquelas respostas que ficam na ponta da língua, mas que graças ao bom Deus acabam sendo resumidas num simples sorriso que tenta dizer, desculpe-me mas infelizmente isso não vai ser possível, está em falta...)

Volta às aulas




As aulas recomeçam hoje.
Nova turma, novos desconhecidos a se tornarem "conhecidos".
No comecinho, todo mundo mudo e calado, naquela expectativa pelo mundo desconhecido que lhes será apresentado.
No final, bem, no final (melhor deixar para depois)...
Diários, provas, avaliações, lista de chamada, plano de ensino, provas de segunda chamada, secretária, van, giz, apagador, quadro negro (que na verdade é verde), festinhas, reuniões...

Segunda-feira de tédio total agora aparece como uma vaga lembrança (ah, a felicidade sempre passa desapercebida...).

E dessa vez, não posso desejar que o professor passe mal e não apareça , pelo meu próprio bem (embora, milhões de alunos estarão fervorosamente esperando que essa prece seja atendida - tadinhos, mal sabem que só morta a professora falta a aula).

Ah, a volta às aulas...
17 de ago. de 2009

Priceless




Box king sinze: R$3.000,00
Jogo de lençóis trezentos fios: R$ 700,00
Travesseiros de pena de ganso: R$ 350,00
Jogo de cama: R$ 600,00
Edredon + almofadas: R$ 400,00
Cd Norah Jones: R$35,00

Eu+vc esparramados pela cama
na maior preguiça
em plena segundona de tédio total
na pele o solzinho das duas da tarde
ao som de Turn me on by Norah Jones:
não, não tem preço...


(E pode ser até mesmo num colchão bem velhinho e macio, apenas com um radinho;
ou quem sabe embaixo de um pé de uma fruta qualquer, ao som do vento cochichando com as folhas;
pq as melhores coisas da vida não custam um centavo sequer.)


16 de ago. de 2009

Sinais...





América-MG, Guará, ASA e Icasa garantem acesso à Série B


SÃO PAULO - A Série B do Campeonato Brasileiro de 2010 conheceu, neste domingo à tarde, seus quatro integrantes oriundos da Série C. América-MG, Guaratinguetá, Asa e Icasa conseguiram o tão sonhado acesso.


Em um Estádio Centenário lotado em Caxias do Sul, o Guaratinguetá segurou a enorme pressão, empatou por 1 a 1 com o Caxias e conseguiu o acesso. Como havia vencido por 2 a 0 no jogo de ida, a igualdade foi suficiente para o clube paulista garantir presença na Série B do ano que vem pela primeira vez. Este acesso reabilita o time do Vale do Paraíba, que tinha caído para a Série A-2 do Campeonato Paulista.

Em Belo Horizonte, o América venceu o Brasil por 3 a 1 e voltou à segunda divisão do futebol brasileiro após seis anos.
O jogo de ida, em Pelotas, terminou em 0 a 0. Por isso, quem vencesse o duelo conseguiria o tão sonhado acesso e a vaga nas semifinais.

Após empatar o primeiro jogo em Belém, por 1 a 1, o Icasa só precisava de um empate sem gols para subir. Mas o clube cearense ignorou a vantagem e massacrou o Paysandu, vencendo por 6 a 2. Marciano e Marcus Vinicius, com dois gols cada, além de Carlinhos e Júnior Xuxa fizeram os gols do Icasa. Para o Paysandu marcaram Aldivan e Michel.

Num jogo eletrizante, o ASA mostrou muita raça e empatou com o Rio Branco por 2 a 2, no Estádio Arena da Floresta, na capital do Acre. Edson e Nena marcaram para os alagoanos, enquanto Ley e Hendrik fizeram para o time acreano. O ASA terminou o jogo com dois jogadores a menos, em expulsões contestadas.

No jogo de ida, em Arapiraca, houve empate por 1 a 1. Assim, o resultado foi o suficiente para levar o ASA à Série B depois de 25 anos em virtude dos gols marcados fora de casa.

Além da promoção à segunda divisão do futebol brasileiro, os quatro semifinalistas seguem na briga pelo título da Série C. As semifinais serão disputadas nos moldes das quartas, com jogos de ida e volta e gol fora qualificado. O América-MG enfrenta o Guaratinguetá, enquanto o ASA pega o Icasa.

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,america-mg-e-guaratingueta-garantem-acesso-a-serie-b,419776,0.htm




Não esse não é um post sobre futebol, não pela falta de paixão pelo esporte, mas pq tenho absoluta certeza que meus parcos conhecimentos sobre o tema não faram falta ao mundo de ninguém.

Há algum tempo, passei a observar uma série de sinais que para mim tem uma mensagem muito clara, há esperança (e muito brega tmbm, admito). Nem tudo na vida precisa ser como um jogo de carta marcadas com cada um desempenhando o papel que acha que lhe cabe (ou que alguém desse que lhe cabe). Cabe a cada um de nós tomar as próprias decisões e deixar que a sorte tome o seu próprio rumo. Sim, há escolhas a serem feitas a cada instante e são elas que traçam uma longa e sinuosa estrada que é o caminho de cada um. A culpa não é do vizinho, do seu pai ou da sua mãe (ou do cachorro, do gato, do papagaio, etc.). A culpa não é de ninguém (vc já parou para pensar sobre isso?), simplesmente pq achar o culpado da situação não leva a lugar nenhum. Como já diria Newton, toda ação implica uma reação, ou seja, alguém tem que sair da inércia para que algo aconteça, pq não, querida, a sorte não vai bater a sua porta numa bela tarde de domingo e lhe convidar para um passeio romântico, com direito a flores, bombons, velas, vinho e um anel de diamantes com a garantia de um "felizes para sempre". Isso só acontece nos contos de fada e mesmo assim, a mocinha tem que passar por muita coisa ruim para ter direito ao príncipe encantado ou quem sabe a algum ogro de bom coração.

É verdade, vejo sinais no ar que me levam a crer num novo começo de era. E tudo depende não apenas do quanto se quer, do quanto se deseja ou do quanto se mereça (basta querer para virar realidade? mesmo?). Tudo depende do quanto se está disposto a realizar e se empenhar. Não é fácil, muito menos simples ( tudo que é mais difícil é mais gostoso, não é?!), mas nunca é tarde (ou sempre é cedo?) para se aventurar por caminhos desconhecidos que podem nos levar a lugares que nunca conseguimos chegar antes.

Te espero lá!

(Sim, o América chegou lá! Depois de seis longos anos, o Coelho volta para a série B!!! Isso não te diz nada?)
12 de ago. de 2009

Vem comigo!



O que não me faltam são palavras para elaborar a mais longa lista de motivos que alguém já poderia ter feito. Poderia até enumerá-los por ordem alfabética, pela cor, pela sensação provocada, pela intensidade da vontade ou classificá-los de acordo com a capacidade argumentativa (você sabe que quando fico a toa, a minha imaginação parece uma pluminha que é levada por qualquer ventinho e até mesmo um simples suspiro). Poderia também bolar estratégias mirabolantes para dar a você uma pequena amostra do que se passa aqui comigo e eu sei que você ficaria tentando (...). Mas hoje não. Hoje vou me ater apenas a esse pedido. VEM COMIGO? E não me pergunte pra onde, nem pq. Se você precisar de tantas respostas assim, seremos fadados a morrer como uma eterna interrogação. Vem comigo pq nosso caminho não precisa ter duas estradas indo em direções opostas ou paralelas, podemos ter uma só estrada nos levando a vários lugares inimagináveis... Eu sei disso. E vc também sabe...
10 de ago. de 2009

Apenas mais uma de amor...

Ela estava ali brincando com o canudinho do suco de abacaxi. Na lanchonete, o horário do almoço era uma loucura, os sons das muitas vozes se confundiam e mais pareciam anunciar o grito de carnaval em pleno agosto. Mas ela não estava incomodada, hoje não, ela estava ali sozinha, numa mesa com mais três cadeiras vazias, como se esperasse alguém. Nunca havia demorado tanto para tomar um suco, ela que normalmente era capaz de almoçar em menos de três minutos, enquanto falava ao celular e folheava uma revista qualquer. Quem visse e a conhecesse não entenderia nada, afinal aquela quietude toda não combinava com ela, ainda mais naquela quarta-feira maluca. Mas por algum motivo, que nem mesmo ela sabia, lá estava Clara, em um silêncio de tamanha paz que seria possível dizer que aquele seria um dia diferente. Foi então que o estranho chegou e sem cerimônia alguma puxou a cadeira, sentou-se e disse-lhe um sonoro oi de maneira tão espontânea, que por um momento ela pensou que realmente o conhecia. E então, inesperadamente não franziu a testa, nem fechou a cara, ela abriu um largo sorriso e começou a conversar com ele. Uma conversa longa, demorada, cheia de sorrisos e sensações, como há muito tempo ela precisava, mas não tinha (desde que ele foi embora). Uma deliciosa conversa que não se prendeu as horas e que quando deram por si, já era tarde, ela tinha que ir para casa e ele, tinha uma festinha, era aniversário do Rodrigo, amigo de infância dele. Ele então a abraçou (era agora um amigo de toda a vida, daqueles que a gente gosta porque gosta, sem explicação) e despediu-se (já estavam nessa de se despedir há pelo menos quarenta e cinco minutos). Ela disse tchau, pegou o celular e já estava chamando o táxi, quando ele segurou-a pelo braço e sugeriu-lhe que ela o acompanhasse a festinha. Por um momento, ela pensou estar realmente perdendo o juízo, afinal não fazia a menor idéia do nome dele e por incrível que pareça ela não estava nem aí. E antes que se desse conta já estava lá na tal festinha, de braços dados com ele, toda sorrisinhos, conhecendo todo mundo, desejando felicidades e muitos anos de vida ao Rodrigo e coisa e tal. E quando deu por si, o dia estava amanhecendo e ela estava na casa dele. Não se sentia estranha, incomodada ou envergonhada, ele fazia dela agora uma pessoa diferente e Clara não tinha medo disso. Ela abraçou-o como se não houvesse mais nada para fazer em plena quinta-feira e disse-lhe, não se apaixone por mim, porque farei você sofrer. Ele ficou sério, sabia que aquilo tinha uma razão e ela explicou-lhe que há muito gostava de outro alguém (um amor louco, desmedido, parecia uma tempestade em dia de verão). Não era sua escolha, aquele sofrimento definitivamente não era seu desejo, mas ela sabia que aquele outro era algo que dicionário nenhum seria capaz de definir. Ele disse para ela não se preocupar, estava ciente dos riscos, mas não ia a lugar nenhum. Ele seria agora a sua morada, o seu refugio, seu porto seguro. E Clara então pode perceber que talvez isso sim fosse amor. Um amor tranqüilo e sereno como a chuva que cai fininha em plena madrugada, para anunciar que já é hora de descansar. E ela estava tão cansada, que resolveu arriscar e fazer abrigo naquele terreno que embora desconhecido trazia-lhe a sensação boa da infância de menina no interior de Minas. E desde então João Pedro e Clara não conseguem terminar aquela conversa longo e demorada daquela quarta-feira maluca...
7 de ago. de 2009

O jogo



Aqui estou, sem saber nem por onde começar. Hoje, as palavras estão todas embaralhadas, parecem querer me confundir. Há tanto para dizer, mas nem sei por onde começar. E aqui estou me repetindo já na segunda linha... Sim, encontro-me confusa, quero expressar mas não sei exatamente o quê. Na verdade não quero nada, mas a necessidade é tão real que vejo mãos, dedos e olhos tentando acompanhar o que a alma está sentindo. A alma está sofrida, calejada e recolhida. Para quê você voltou se não é para ficar? Não se engane, sei que você não vai ficar. Mas ainda assim me vejo novamente jogando o seu velho jogo. Embora o brinquedo pareça novo e tenha até uma interface mais interessante e colorida, todos sabemos que o jogo é o mesmo. E sabemos que o jogo só existe para o seu próprio deleite.Talvez eu seja o seu brinquedo preferido, a bonequinha de porcelana que sempre brinca de O chefe mandou. Mas me diga ,você não se cansou dessa brincadeira ainda? Não se cansou de assitir a este filme mesmo já sabendo como ele termina? Devíamos ao menos tentar algo diferente.Vamos, pelo menos dessa vez dê uma chance ainda que insignificativa da bonequinha não se quebrar. E mesmo que ela se quebre, ainda podemos tentar colar os caquinhos (quem sabe um mosaico não ficaria bem na sua sala?).Hoje quero falar sem disfarce, sem joguinhos, sem artimanhas. EU QUERO VOCÊ E PONTO FINAL. Sem três pontinhos, sem etc e tal, sem "quem sabe" ou talvez. EU QUERO VOCÊ. E agora, meu bem, eu fui suficientemente clara?
5 de ago. de 2009

PAIXÃO


Todo dia é sempre a mesma coisa na hora que tenho que levantar...

ai, que droga, juro que vou dormir mais cedo hoje...
juro que assim que chegar em casa, tomo banho e cama, não quero nem ver novela...

Todo santo dia a mesma ladainha, o mesmo péssimo humor e a vontade de ficar na cama até a hora do almoço (how I wish...). Aí, começa a escurecer e antes das 21 horas já estou bocejando e me imaginando dormindo que nem um anjinho celestial bem cedinho. Eu juro que me esforço, com todas as forças de todas as minhas células, mas quando eu chego em casa e olho para ele.
Ah! Quando eu olho para ele, meu coração até dói de pensar em não chegar perto, em não pegá-lo no colo... Ele finge indiferença como sempre, finge que não me vê e eu finjo que também não estou nem aí, porque todo mundo tem que ter um pouco de orgulho nessa vida (só um pouco, viu?!). E eu disfarço, vou fazer outra coisa, vou lanchar, vou para o banho... Mas daí quando o vejo novamente logo penso, tadinho, tão sozinho, parece até abandonado... E faço um acordo comigo mesma, uma meia horinha não vai matar ninguém. E lá vou eu, toda cheia de saudades, conectar o note (wireless só quando eu tiver certeza que serei capaz de não carregá-lo em todos os lugares)... Trinta minutos depois, refaço o acordo, afinal o que são sessenta minutos e por aí vai... Quando dou por mim, as horas já avançaram com tal impiedade que me sinto um condenado caminhando pelo corredor da morte, sem um pingo de esperança sequer (já te falei que sou exagerada???). No outro dia (ou melhor horas depois), apareço na academia com a maior naturalidade que alguém pode aparentar depois de ser atropelado por um caminhão. Sou toda sorrisinhos, dou bom dia até para a esteira (quem sabe um dia ela não para de pegar no meu pé? o humor dele é muito pior que o meu) e lá vou eu, bocejando entre um aparelho e outro. Chego a comentar com a professora, hoje estou um pouco cansada, fui dormir tarde (tento justificar as olheiras, é claro). E ela, um amor de pessoa, me pergunta sobre o que eu fiquei fazendo. Pode não parecer, mas ninguém entende o que tanto faço pelas madrugadas afora e é cara cara que fazem para mim (seria um namorado virtual? seria ela uma pervertida? teria problemas para dormir?). E encerro a questão dizendo que estava na net. Melhor manter o ponto de interrogação que ficar justificando esse meu jeito estranho de ser. E você? Ficou curioso??? Ora, meu caro, eu faço a noite tudo aquilo que as outras pessoas fazem pela manhã ( e as vezes até o contrário também, mas essas outras coisas eu não posso dizer aqui, afinal tenho uma reputação a zelar, rs). Eu checo e-mails, vejo filmes, baixo músicas, fico lendo os blogs alheios, mexendo no meu, remexendo nas minhas postagens, faço faxina no bagunça do que um dia pareceu ser um quarto, converso comigo mesma, organizo a agenda, programo e reprogramo os compromissos, essas coisas... Uma vez me disseram que talvez meu relógio biológico fosse "made in China"... Mas vamos lá, hoje vou compartilhar esse segredo com você. Sou simplesmente apaixonada pela noite, pelo céu estrelado, pela temperatura mais amena, pelo silêncio negro que inunda o mundo e parece dizer que amanhã vai , sim, ser um dia melhor. E paixão a gente não explica, apenas vive e ponto final. E falando nisso, olha as horas, meu Pai Eterno, amanhã (daqui a pouco) ainda tenho que levar minha mãe ao médico antes do trabalho. Já vou mesmo, afinal, pelo menos o post já está pronto.

Bons sonhos...
4 de ago. de 2009

Instantes


Definição: A palavra instante deriva do latim instans, antis [pret. perfeito de insto], cujo significado original é: o que aperta, que insta, que persegue, iminente, próximo. Dentre os muitos
significados abrangidos nos léxicos, nos interessa o que assim elucida: espaço de tempo indeterminado, ponto determinado do tempo. Em seu sentido filosófico, a noção de instante é correlata à de duração e pode referir-se à duração muito curta que a consciência capta como um todo. Tradicionalmente, também foi definido como ponto determinado e indivisível da duração. (www.aquinate.net/atualidades/análises)


Hoje eu me peguei pensando sobre os instantes. Instantes no plural porque pensei em muitos, viajei em todos os que foram possíveis...

É engraçado, porque alguns instanstes parecem palpáveis, tenho a sensação de que é possível tocá-los e voltar a sentí-los. Como a primeira vez que você me abraçou, era quarta-feira, eu estava de cabelo molhado/tinha acabado de tomar banho, deveria ser umas sete, oito horas da noite e choveu. Como em muitos outros dias nossos, choveu... E o abraço veio assim, do nada, num instante e antes que você me soltasse, eu já sentia os primeiros pingos de uma chuva gostosa e calma. Também lembro que sorri, um sorriso que vinha de dentro, de criança que acaba de ganhar um brinquedo novo. Um instante, um abraço coube nesse instante, mas os sentimentos voaram por muitos outros ...

E aí, eu viajei mais longe, me lembrei da primeira vez que me declarei apaixonada por alguém (instante raro... se repetiu apenas mais duas vezes, sendo que em nenhuma delas, a verdade estava presente, apesar de naquele instante parecer que sim). Fui capaz de dizer todas as palavras que eu não planejei ,disse olhando-o nos olhos. E também fui capaz de perceber que ele se desarmou, se desmanchou...

Mas não percebi o instante em que me apaixonei por você, aquele em que me lancei naquele abismo sem fim. Se tivesse prestado atenção por um instante , pode ser que não tivesse me lançado ou que pelo menos tivesse providenciado uma cordinha de emergência(ou algum outro equipamento, é claro) . Mas não me lembro de nada disso, quando vi já era tarde, você já estava ali (nossa, como ele fica lindo de azul...).Perdi um instante único, verdadeiro e louco (porque é verdade, depois disso, nunca mais me apaixonei...).

Os instantes as vezes são assim, parecem crianças travessas, correndo de um lado para o outro. Você pisca e não se dá conta que já passou, acabou. Ou simplesmente não é capaz de lembrar como chegou até ali (como engordei? como envelheci? como perdemos aquela amizade de colégio? quando parei de ler Lygia? quando deixei de ser eu mesma...).

E outras vezes eles se desenrolam lentamente feito um novelo de lã puxado pelas mãos da avó halibidosa. Raras vezes nas quais tive a impressão que o tic tac incessante do relógio parou e aquele instante passou em câmera lenta. Como no dia em que o vi, ali na incubadora. Indefeso, inocente e inquieto. Instantes antes, eu corria apressada pelo hospital, poderia ter ganho uma maratona naquele dia e perguntei: nasceu? Ele me disse que não, mas eu não parei. Tinha pressa, tinha esperado sete meses para saber como seria meu amado Gabriel e sabia que o instante tinha chegado. Quando o vi, tão pequenininho, meu coração parou. Foram alguns segundos, mas aquele foi um instante recorde, pareceu uma eternidade. Eu o olhei, fiquei quieta e fui tomada por sentimentos que não consigo nomear. Nesse instante, descobri-me tia.

Instantes, tantos que nem posso continuar ou ficaria velhinha escrevendo aqui , perdendo instantes preciosos que o tempo não é capaz de devolver. Alguns perdidos, alguns tão fugazes que parecem um delírio de uma noite mal dormida, outros guardados a sete chaves e outros vagueando pelos caminhos tortos da memória (você tem certeza que estava tocando Lulu Santos?), mas todos , sem dúvida, moldando-me. É como um grande quebra-cabeça com peças de todas as cores e formatos chamado vida ( e esse meu bem, você não vai terminar nunca).


Let the sun shine in!!!


Vou rodopiar pelas ruas como se estivesse gravando uma cena de Mamma mia!
Distribuirei uma chuva sorrisos por quem passar e cuidado!!!
Eu vou esbarrar em você propositadamente e convidá-lo a vir comigo.
Hoje definitivamente vou deixar o sol brilhar dentro de mim (ok, eu sei que estamos no inverno, mas e daí?).
Então, peço a você gentil desconhecido que deixe o sol brilhar, deixe se levar pela melodia e pare de pensar que daqui a pouco você tem que voltar para o trabalho e que hoje a semana está apenas começando (e essa semana, a primeira de agosto, está deixando você louco).
PARE!!!!
Tente apenas por um instante não pensar, limpe a mente e Let the sun shine in!!!
Let the sun shine in!!! (Porque a vida pode ser um verão sem fim se assim você quiser...)



3 de ago. de 2009

Amores possíveis


Era tarde, a noite já havia adormecido o mundo. Mas ela estava acordada, quando já deveria estar dormindo há muito tempo. Resolveu esperar porque algo lhe dizia que sua espera não era em vão. Ela esperava, apenas esperava olhando para as paredes nuas... Nuas, despidas, indecentemente cruas... Mas hoje ela não se importava, não se amedrontava, não se encolhia; a espera estava chegando ao fim. Pacientemente ela esperava como se estivesse ali por apenas alguns instantes, alguns poucos minutos, e não a sua vida inteira. Enfim, quando a madrugada finalmente ameaçou ir embora, ela foi calmamente até a porta. Estava tranquila, ela que sempre correra, agora caminhava a passos miúdos. Passou as mãos pelos cabelos e delicadamente abriu a porta. A espera tinha acabado, ele estava lá e ela sabia disso. Ele não fez barulho, não tocou a campainha, não deixou sequer um bilhete revelando a sua chegada. Nenhum sinal, nada... E ainda assim ela sabia que ele chegaria. Ao abrir a porta, seu coração silenciou-se. Ele estava lá. Eles se olharam e se abraçaram. Um silencioso e profundo abraço que suplicava gentilmente ao tempo que parasse ao menos por um momento. Os olhares falavam como se aquela conversa nunca tivesse sido interrompida, como se fosse apenas uma pequena pausa durante uma noite comprida. Ela o convidou para entrar, não queria estar mais um segundo sequer longe dele e sabia que ele queria o mesmo. Porque longe um do outro nada mais eram que uma longa espera, uma sombra de si mesmos. Eles então entraram e ela fechou a porta. E foi como se ele nunca tivesse saído...
 
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