12 de set. de 2009

Elogios


Ela não gosta de elogios, na maioria das vezes se constrange e consegue perceber no outro uma intenção oculta. E não, ela não gosta disso, idependentemente de qual tipo de intenção seja. Mas aquele sábado foi diferente, a claridade daquela manhã de calor aquecia a cama de um jeito delicioso e a vontade era de não levantar nunca. Ela abriu os olhos de repente, espreguiçando-se como se a cama fosse só dela. Ele ainda estava dormindo, mas acordou com ela se mexendo na cama. Aquela hora da manhã, com aquela luz banhando o quarto, os dois até pareciam um casal de verdade e não apenas duas pessoas que nada mais tinham para fazer do que tentar se enganarem em algumas ocasiões. Ele fitou-a enquanto ela ainda estava tentando se lembrar o que deveria fazer naquele dia , arrumar mala, pegar ônibus, ir para a casa dos pais, levar a televisão para a assitência técnica...

Você fica mais linda assim, quando acorda, sem maquiagem, sem nada.

Por um instante, ela quase gargalhou, afinal sabia que estava com a cara amassada por causa das quatro horas de sono, com olheiras que mais pareciam crateras e um resquício de insobriedade por causa das duas garrafas do vinho italiano da noite anterior. Mas o tom da voz dele, juntamente com seu olhar despretensioso, a desarmou. Olhou para ele e deu-lhe um beijo na pontinha do nariz, aquele nariz atípico que ela conseguia achar lindo. E apesar de tudo, aquela manhã foi a única lembrança dos dois que ela fazia questão de guardar para jamais esquecer que a felicidade é feita de pequenos instantes, singelos e inesperados...

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