26 de set. de 2011

O amor acaba

Eu nunca imaginei que um dia fosse descobrir que o amor acaba. Sempre imaginei uma coisa meio "amor, eterno amor", mas agora vejo que está mais para "que seja eterno, enquanto dure". Foi eterno, foi intenso, foi para sempre, mas acabou e agora eu não sei como dizer que não te amo mais. 
21 de jul. de 2011

O poço

"Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê." 
Caio F. ( O ovo apunhalado)



No começo, você sente que está caindo e tenta desesperadamente se agarrar a algo. A queda é lenta e indolor, a medida que o fundo do poço avança. Ao chegar ao completo breu, alcança-se uma mórbida serenidade, as lágrimas secam, os anseios se afogam na água cristalina do poço. O poço  frio, escuro e sujo, no qual o tempo para, passa lentamente a fazer parte de você, misturando-se aos seus cabelos, a sua pele, por todos os poros. No começo, seus olhos ainda sentem falta da claridade, mas o cansaço da queda pede calma ao corpo e adia a fuga. Então o poço mistura-se a você e a necessidade da fuga fica cada vez mais distante. Dia após dia, o poço mistura-se a você e então já não é mais possível dizer onde termina a pessoa e onde começa o poço. Você mistura-se ao breu do poço, o breu do poço mistura-se a você. Não há mais o que se fazer, o poço é tão fundo que você simplesmente desiste de pensar na fuga. É humanamente impossível sair do poço sozinho, você conclui. E o poço passa a ser você e você passa a ser o poço, o fundo do fundo do poço.
16 de mai. de 2011

Alice

"Posso explicar uma porção de coisas mas não posso explicar a mim mesma…” 
 Alice no País das Maravilhas 

Alice chegou já há algum tempo, mas só agora me dei conta da sua presença. Alice é quieta demais, fala pouco e sempre muito baixo, na maior parte das vezes responde perguntas com um simples "não sei" ou esboçando um sorriso, ainda que amarelo. Alice é daquelas pessoas enigmáticas sabe? Você pergunta se ela está triste e ela responde que é só cansaço. Você pergunta se ela está cansada e ela responde que é só preguiça. Já cheguei a pensar que nem Alice sabe mesmo o que tem, o que é que faz com que seu semblante esteja sempre nublado e frio. Suas costas estão sempre curvadas como  se carregasse um grande fardo, "as dores do mundo". Alice  fala pouco, mas sente muito. Eu já vi a Alice em estado de felicidade plena, parecia uma criança que acabara de ganhar um doce. Foram 2 ou 3 vezes, mas sim, eu já vi a Alice transbordando de felicidade e foi uma das coisas mais lindas de se ver, como um duplo arco-íris com direito a um duplo pote de ouro no final. Pq Alice estava tão feliz? "Por  nada", ela respondeu e emendou "pq a felicidade é contagiante, apenas  isso". Mas a felicidade de Alice foi tão duradoura quanto uma chuva de verão, foi embora da mesma forma como chegou. Ah, Alice, hoje seu semblante consegue estar mais triste ainda, seus olhos pequenos anunciam uma dor tão grande que chega a me contagiar. O que será que se passa com a menina Alice? Eu não sei e desconfio que nem mesmo a Alice saiba.
15 de mai. de 2011

Eu voltei!

Ter um blog não é uma coisa tão simples quanto eu achava. Eu me expus e fui julgada por isso. Claro que somos julgados/rotulados o tempo todo, mas quando a crítica vem das pessoas que mais amamos, há necessidade de uma pausa. Mas tudo passou (vamos pular essa parte, né)  e agora  estou de volta. 
Aguardem, daqui a pouco tem um post saindo do forno =) .
Saudade de todo mundo!
 
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