23 de set. de 2009

Carta



Amor*,

hoje lembrei de você, senti saudades e sinto-me obrigada a dizer aqui o que não posso, nem pude falar com você. Faz tanto tempo que não escrevo uma carta, não é nada convencional para nós que sequer trocamos um e-mail, um msn ou coisa do tipo. Nós que sempre gostamos das palavras ditas ao pé do ouvido, que só abríamos exceção para o sms (milhões de torpedos pra dizer apenas um oi). Há muito tenho sentido sua falta, tanto que até dói meu coração, que está tão apertadinho aqui, longe de você. Não sei precisar quando você partiu, tanta coisa aconteceu naquela semana, você brigou comigo (minhas brincadeiras fora de hora e seu ciúme por nada),quase morri de tanto chorar ao som do Legião (aquele cd azul que você odiava), você me aceitou de volta mesmo com o fim já tão próximo, roubaram meu celular dentro do ônibus da faculdade as 16 horas... Tudo aconteceu naquela semana e não houve tempo nem momento para dizer que você foi responsável por me fazer ver que amores antigos não têm lugar no presente. Você, com seu jeito grosso, com suas palavras secas (não, eu não quero ser seu amigo) e cheias de mistério (olha não posso te dizer onde trabalho) nunca foi o que procurei, mesmo pq quando você apareceu, o que queria mesmo era largar tudo e sair correndo para qualquer lugar até não conseguir respirar mais. Mas daí você chegou e trouxe meu sorriso de volta, me mostrou que o caminho podia ser mais agradável e interessante com você. Muitas promessas, um sentido apenas, a satisfação das necessidades, dos desejos, dos sentidos... Pensei em muitas palavras para colocar aqui, tudo o que você trouxe de bom para a minha vida (tenho saudades até das nossas inúmeras brigas, parecíamos duas crianças brigando por causa de um brinquedo velho) e que realmente ao seu lado eu era uma pessoa melhor (mais cínica e mais debochada também), mas não dá para me estender mais por aqui. Você partiu e me obrigou a viver com a sua ausência. Sinta-se orgulhoso de mim pois não derramei uma lágrima sequer, foi o luto mais seco e calado da minha vida. Sei que essa seria a sua vontade, afinal você sempre me disse para ser forte (seja homem, você dizia quando eu dava um piti por causa de uma bobagem e gargalhavamos até as bochechas ficarem doloridas) e para nunca esquecer que eu era uma mulher e não uma menina. Tentei, juro que tentei, mas não consigo me lembrar quando você partiu, não consigo imaginar se é um ano ou se são dois, ou alguns meses. Aqui dentro é uma eternidade, parece que cai num buraco negro. Me lembro vagamente de alguns fragmentos, pedi tanto para você não ter pressa, disse que te esperaria por uma vida inteira se fosse preciso e você riu e me disse que teria cuidado. Não sei o que aconteceu, destino, fatalidade, falta de cuidado, irresponsabilidade. Sei que sonhei com o gol cinza bali (você fez questão de frisar que era b-a-l-i e eu sempre dava risada disso) manchado de sangue e foi aí que soube. Onde estiver, saiba que sim, penso em você e que o que aconteceu a nós, não importa qual seja o rótulo que as pessoas gostem de dar, vai ficar guardado para sempre na minha caixinha de lembranças. E que sim, falei que te esperaria uma vida inteira e pode ter certeza que não menti quando disse isso. Continuo esperando pelo nosso reencontro, pelo momento de te ver novamente e pode ter certeza que será nesse instante que deixarei todas as minhas lágrimas de saudade transbordarem.

vinte nove mil beijos...

* sei que nunca te chamei de amor, tudo o que conseguia era dizer um "meu bem" de vez em quando e mesmo assim sempre em tom de deboche, sempre no meio de uma briga. Mas hoje tudo o que queria era poder te chamar de amor ao pé do ouvido...

Um comentário:

Taffarel Brant disse...

palavras fortes e fatais nesta tua carta para um tal 'amor' distante.

grande abraço.

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