3 de ago. de 2009

Amores possíveis


Era tarde, a noite já havia adormecido o mundo. Mas ela estava acordada, quando já deveria estar dormindo há muito tempo. Resolveu esperar porque algo lhe dizia que sua espera não era em vão. Ela esperava, apenas esperava olhando para as paredes nuas... Nuas, despidas, indecentemente cruas... Mas hoje ela não se importava, não se amedrontava, não se encolhia; a espera estava chegando ao fim. Pacientemente ela esperava como se estivesse ali por apenas alguns instantes, alguns poucos minutos, e não a sua vida inteira. Enfim, quando a madrugada finalmente ameaçou ir embora, ela foi calmamente até a porta. Estava tranquila, ela que sempre correra, agora caminhava a passos miúdos. Passou as mãos pelos cabelos e delicadamente abriu a porta. A espera tinha acabado, ele estava lá e ela sabia disso. Ele não fez barulho, não tocou a campainha, não deixou sequer um bilhete revelando a sua chegada. Nenhum sinal, nada... E ainda assim ela sabia que ele chegaria. Ao abrir a porta, seu coração silenciou-se. Ele estava lá. Eles se olharam e se abraçaram. Um silencioso e profundo abraço que suplicava gentilmente ao tempo que parasse ao menos por um momento. Os olhares falavam como se aquela conversa nunca tivesse sido interrompida, como se fosse apenas uma pequena pausa durante uma noite comprida. Ela o convidou para entrar, não queria estar mais um segundo sequer longe dele e sabia que ele queria o mesmo. Porque longe um do outro nada mais eram que uma longa espera, uma sombra de si mesmos. Eles então entraram e ela fechou a porta. E foi como se ele nunca tivesse saído...

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