20 de mar. de 2010

19 anos*


Passou-se tanto tempo depois que Ana me deixou, e eu sobrevivi, que o mundo foi-se tornando aos poucos um enorme leque escancarado de mil possibilidades além de Ana.
Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.


Para André
Eu ainda lembro de quando você se aproximou e me pediu para segurar seu copo. Não entendi, mas segurei, não custava nada mesmo. Então você desligou o celular e começou a conversar comigo. Já era cinco da manhã e eu percebi você se aproximando. Tudo o que consegui foi te perguntar a sua idade e vc me disse que tinha vinte anos. Gargalhei alto e respondi que podia ser sua avó. Você ali, parado, sem entender nada e eu numa gargalhada que não queria terminar. Eu sei, ainda tenho cara de menina, a culpa não é sua, é da minha maquiagem que sempre fica cuti cuti demais. O mais engraçado foi o meu ciúmes por causa da sua amiguinha com cara de nerd que parecia ter 15 anos. Lembro da cara sem graça dela, tentando me explicar que fazia parte da sua turma. Também foi engraçado quando o seu amigo me perguntou o meu nome e eu disse que você responderia. Foi aí que a gente se deu conta de que um não sabia o nome do outro e que isso não tinha a menor importância. Desde o começo foi assim, não  estavamos apegados a detalhes, apenas ao momento de aproveitar a presença um do outro. Falávamos pouco, mas dizíamos muito e isso era suficiente. Ou melhor, eu achei que isso bastasse. Falei tanto para você não me pressionar, pedi para que não criasse expectativas, que eu era sentimentalmente limitada (impagável a sua cara quando você ouviu isso). Parei de pensar, afinal era tão bacana, shopping, milk shake de ovo maltine gigante, cinema, carinho, abraço, risadas intermináveis, vídeo game, brigadeiro de panela, cachorro-quente da tia,desenho animado, você tentando me ensinar a andar de skate (mais uma cicatriz no joelho) ,discussões super sérias (vc acha mesmo que o Salsicha era maconheiro? não, não tem nada ver, só pq o Patrick é rosa e gay não quer dizer que o Bob Esponja também seja). Foi bom, você trouxe leveza a minha vida, mas todo mundo já sabia que mais cedo ou mais tarde iria terminar, exatamente no mesmo lugar em que começou, ou seja, lugar nenhum. Ainda sinto o peso da sua mão quando me lembro daquele dia em que me puxou e rispidamente me perguntou "você não sabe deixar ninguém te amar?" . Queria tanto que você entendesse que isso não é amor. Então, não me liga mais, nem me procura, não adianta tentar protelar o fim. Acabou, só isso, não procure entender nem teorizar. Foi bom, mas acabou, meu bem.

* Sei que fez vinte anos essa semana, mas pra mim, você vai ter sempre 19.

3 comentários:

[P] disse...

Caralho, Pri, chorei.

:(

ps: tantas semelhanças...

Beijo.

Priscila disse...

Putz [P], cada dia mais a gente descobre as nossas semelhanças.

Tmbm chorei aqui, mas passa, afinal o Universo sempre apronta uma melhor depois.

bjs!

Taffarel Brant disse...

histórias de amor sempre são recheadas de momentos inusitados.

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