9 de out. de 2009

Enlouquecendo... (falta de dignidade não tem fim)

Normal mesmo, eu nunca fui. Mas alguma coisa está desregulada aqui dentro (além do normal, é claro). Uma fome de não sei o quê, já comi um mega power blaster hambúrguer essa semana no meio da tarde (e no final ficou uma saudade de uma coca zero extremamente gelada, mas eu sabia que era mais uma daquelas vontades passageiras). Ontem eu comi meia caixa de bombons, tinha zilhões de anos que eu não fazia isso e depois dessa extravagância, descobri que não, não era chocolate o que eu queria. Como brinde fiquei enjoada a noite toda, sem contar a sensação agradável de saber que não era aquilo que eu queria. (Ok, agora no meio da tarde eu comi o resto da dignidade que havia me sobrado e a noite, bebi um gole de Pepsi, o que deve ser tipo uns 50mL. Concluindo, minha dignidade tá mais atolada que mula empacada no fundo do poço e eu continuo enjoada pacas.) E agora, e essa fome que não passa? (e meu sorriso sem graça, não me dê atenção, mas obrigado por pensar em mim... ops! pausa para um pequeno momento fundo do profundo, pq falta de dignidade não tem fim...) Fome de não sei o quê. A culpa foi tanta que num instante de loucura liguei para a única clínica de estética daqui. E o pior é que eu marquei uma consulta com um médico que faz carboxiterapia, talassoterapia, peeling e uma série de coisas que até fizeram minhas células adiposas vibrarem de tanta emoção. Mas e qual não foi a minha surpresa ao perguntar a especialidade do fulano? Ele é ginecologista, clínico-geral , e não sei lá mais o quê, até faz lipoaspiração na capital (será que parcela em 987 vezes?). Ok, ok, e a especialidade em Dermatologia e Cirurgia Plástica? Nada, nadica de nada. Fui procurar por referências, afinal nessa nano cidade todo mundo sabe tudo de todo mundo e parece que estou correndo sérios riscos. O pior é que ainda não decidi se desmarco ou não a minha consulta, tenho uma certa necessidade de pagar para ver e nesse estado de obsessão por uma coisa que ainda não sei o que é, fico nessa angústia cruel. Vou ou não vou? Eu poderia ir simplesmente ao shopping e torrar meu rico dinheirinho em tubos e mais tubos de hidratantes, de creminhos mil e litros de água termal. Mas aqui não tem shopping (corrigindo: aqui tem uma coisa que chamam de shopping, mas que para mim não é nem um centro comercial, pq até o Shopping Mix da São Paulo é maior), não tem sequer uma lojinha do Boticário, quanto mais um mísero produtinho da Vichy, quiçá da La Roche (meu Deus, se eu entrar numa loja dessas, juro que não respondo pelas minhas atitudes). Eu até poderia comprar mais um par de sandálias com saltos que me deixassem literalmente nas nuvens, mas já fiz isso na sexta-feira passada,  no mês passado, no mês anterior ao mês passado, etc, etc, etc. Ou seja, preciso arrumar uma nova mania urgentemente, compatível com as atividades comerciais desse lugarejo agradável e simpático. O pior é que um dos meus milhões de hidratantes está quase no fim, justo meu Flan de Açaí do Boticário (não que eu esteja fazendo alguma propaganda, mas só para deixar bem claro, sou uma pessoa totalmente a favor de brindes, presentinhos e promoções, e como eu disse o meu Flan tá no fim). Justo no momento em que ele está quase se tornando o meu cheiro da primavera, não aguento mais ter que dar explicações quando entro em qualquer ambiente que o cheiro maravilhoso que fica no ar é do meu hidratante, super gostoso, nada enjoativo e que não mela a pele (mais uma vez repito, não estou fazendo propaganda, juro).E agora? Primeiro foi o meu sabonete líquido da Victoria´s Secret, o Pure Desire, tive que me desapegar pq não consegui encontrar em lugar nenhum. Será que meu amado creminho dará para mais uma semana? É verdade, anote aí, estou enlouquecendo. Já mandei e-mails para todos meus queridos e amados amigos, já fiz declarações de saudades de tudo e de todos (estou no maior momento: "amo muito todo mundo", "yes, we can", "faça amor, não faça a guerra" ,juro que meu gênio do cão está guardado numa daquelas garrafas que se usa para prender saci) e tento me manter afastada do celular pq sei exatamente o que vai acontecer se eu chegar perto da tecla verde, pq já estourei a conta do celular em apenas um final de semana (um mísero final de semana). Já não sei mais o quê fazer, saudade de não sei o quê, vontade de não sei o quê, fome de não sei o quê e um cansaço de não sei o quê. Tento dormir e não consigo, acordo a todo instante, tenho uma sensação de que algo está por vir (algo muito maior que o dia de amanhã, que é o que se espera quando se dorme, não é cara pálida?). Quando vejo, tenho que acordar e o corpo parece atropelado por um trator, atropelaram-me e deram ré, pelo menos 44 vezes. Na hora de dormir não consigo, na hora de levantar é muito pior, é quase um esforço sobrenatural, levar a vida fazendo de conta que tudo está no lugar, que todos os rios desaguam no mar e que todos os grãos de areia do deserto continuam adornando esse lugar árido e insólito que já não sei mais como chamar.Mas qual não é a minha surpresa quando chego para dar aula (numa sexta-feira com cara de dia santo, tipo Finados, com duas alunas super gracinhas para dar exatas três horas de aula. Meu Deus, eu sou mesmo uma ótima professora, pq elas estavam lá querendo aprender mesmo, sem se importar com o vazio das cadeiras alheias)  e vejo uma big sacola abarrotada de lingerie de todas as cores, babados, rendas e tudo o quê alguém ensadecidamente consumista como eu poderia querer e imaginar. Aquela sacola era uma miragem para mim e cada conjuntinho de calcinha e soutien mais parecia uma fagulha de luz no fim do túnel. Como eu tinha me esquecido da fase lingerie? Tenho/vivo/permaneço Já tive fase de comprar bolsas, sapatos (fase excelente para dar fim ao tédio/monotonia, pq inclui diversas subfases como chinelos Havaianas que eu não vou contar para ninguém que devo ter uns vinte, sandálias de salto plataforma, sandálias rasteirinhas, sandálias de salto alto e mega fino, sandálias de salto alto e salto médio, sandálias de saltinho, sapatos brancos para usar no trabalho, scarpins, peep toe de todas as cores num modelo único, tamancos que também juro que jamais comprei quatro de uma vez só, tênis - já deu para sacar o drama, né?) , calças, blusas (Jesus, Maria, José, em menos de 2 horas, eu consegui agregar ao meu guarda-roupa mais camisas do tipo pólo do que já tive em toda a minha vida, na minha contagem foram umas quatro, cinco, seis ou sete, melhor eu parar por aqui), roupa de ginástica (com quantos tops e leggings se faz uma turista de academia?), pijamas (cheguei num ponto em que é era mais fácil sair de casa de roupa de dormir de tanta opção que tenho tinha), produtinhos mais que básicos para a pele, cabelo e maquiagem (passando de água termal/ que foi a minha descoberta do século, a bloqueador solar, hidratantes/ não , eu não estou viciada em hidratantes, esfoliantes, sabonetes/você já viu o Kiss me?, rímel para curvar os cílios, rímel para alongar os cílios, rímel para colorir os cílios, maquiagem mineral, maquiagem com glitter, etc, etc, etc  - nem sei como é possível tanta criatividade) e por fim (será) a fase lingerie (vamos pular a fase cds, livros e revistas, pleaseee) .Em plena sexta-feira, senti-me como uma criança numa loja cheia de doces, eram tantas opções, tantos babadinhos, frufus, rendinhas, brilhos, cores, estampas, modelos, era praticamente um oásis no deserto da minha loucura. Sim, eu quase achei meu parafuso perdido, quase encontrei o caminho de volta para uma vida perfeita e feliz como comercial de margarina com um cara meio Mateus Solano, meio José Mayer. Quase pq eu não sou normal (hahahahaha, jura que você nem imaginava isso, né?). Quase pq agora eu vou ter que passar a andar de calcinha e soutien pela casa para poder usar tudo o que comprei. Ops! Menos empolgação, papai e irmãozinho não vão querer ver esse desbunde todo pela casa não. Enfim, ainda continuo com fome de não sei o quê, saudade de não sei o quê, vontade de não sei o quê, cansaço de não sei o quê, e um milhão de coisas que não sei o quê, mas contudo, entretanto, todavia, porém e blá blá blá, ainda não é chegado o meu trsite e derradeiro fim e diga ao povo que para alegria e felicidade geral da nação, sobreviverei a mais uma coisa não sei lá o quê nos atropelos dessa vidinha de gente do interiorrrrr.

P.S: definitivamente, esse foi o pior post de toda a longa existência de dois meses desse blog, mas como está lá no título, falta de dignidade não tem fim, nem minha nova coleção de lingerie...

P.S 2: eu juro que não sou consumista, talvez eu só tenho uma certa aversão ao tédio e monotonia do dia a dia da roça cidade interiorana que resido.


2 comentários:

[P] disse...

Pri, você deve ser minha irmã gêmea perdida numa cidade interiorana! Compartilho da sua falta de dignidade, dessa fome/saudade, desse cansaço, desse monte de coisas que chega não se sabe como e, às vezes, parecem levar séculos para sumir.

[Se eu te contasse as insanidades que já cometi por conta disso, naqueles momentos de impulsos totalmente indignos, sabe? tsc, tsc, tsc...]

Fique bem.

Um beijo!

Priscila disse...

Rosaninha, assim você me mata de tanto rir.
Já não basta uma pequena lista que anda rolando por aí dos mais de 200 motivos que levam uma mulher a fazer sexo??? (Como se houvesse necessidade de mais de um ou dois motivos, kkkkkkkkk).
E pode deixar que já estou correndo atrás da veja, rs.

(Sem contar que emagrece, kkkkkk.)

bjs!

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