15 de out. de 2009

Ana Laura

Ana Laura apareceu de forma inesperada. Seu jeito calado de palavras e gestos contidos faz com que ela se perca na multidão, e é isso mesmo que ela deseja. Ana Laura não quer ser vista, "medida" de baixo para cima, analisada, julgada, interpretada ou rotulada. A frase que ela mais diz? Faz de conta que eu não estou aqui, pq eu não queria estar mesmo. Ana Laura é diferente, gosta de observar, de imaginar coisas, tecer ideias, formular teorias, tudo no seu universo próprio com outras leis, outras regras e outros jogos. Ana Laura parece fria e impassível, mas a delicadeza que revela em alguns momentos faz com que se assemelhe a uma boneca de porcelana que sabe que um dia vai se quebrar. Sua pele branca evidencia o quanto ela gosta de ficar longe do sol, se pudesse moraria em qualquer lugar gelado e inóspito para que sua vida fosse um inverno sem fim. As roupas escondem o que ela gosta de fazer a si mesma, são inúmeras cicatrizes para lembrar que enquanto houver dor é sinal de que ainda vive. Ana Laura está quieta, não come, não fala, não move sequer uma das sobrancelhas. Há quatro dias que entrou no quarto e não quer sair da penumbra. Preciso tirar Ana Laura do quarto, preciso abrir a porta e deixar que um pouco de claridade entre. Preciso, mas não consigo, não tenho a chave da porta.

3 comentários:

Amiga do Cafa disse...

Encontre a chave da porta e tire Ana Laura de lá ! Ela precisa viver.
Beijos

Pri S. disse...

Gostei da Ana Laura. Parece comigo, em alguns momentos. Talvez um lado meu que também ficava trancado pq eu mesma tinha jogado a chave fora. Quando entendi que a minha Ana Laura tinha que sair do quarto e gritar para o mundo, mesmo em seu silêncio, foi aí que comecei a crescer... Gostei muito do seu texto. :-)

Rosana Tibúrcio disse...

Chame o corpo de bombeiros, se é que me entende...
Muitas vezes precisamos de socorro pra socorrer alguém ou nos socorrer.
Ana Laura- interessante o nome.

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