26 de jul. de 2009

Encontro com a Felicidade


Cara Felicidade,
Sei que não tenho sido sua melhor amiga e que a bem da verdade a culpa é minha. Eu, que por vezes não atendi suas ligações, não respondi seus e-mails, recusei seus convites para sair e me enamorei por sentimentos tortos como a solidão e a tristeza. Ah! O trabalho e suas inúmeras possibilidades de desculpas, todas já gastas e desgastadas. Mas cara Felicidade, cansei da minha vida há tempos, cansei de colocar você lá no finalzinho da minha lista de prioridades. Lembra daquela listinha de “coisas para fazer”? Aquela listinha que poderia muito bem se chamar “coisas que eu nunca vou fazer”? Pois bem, achei-a lá no fundo de uma gaveta esquecida (seria a gavetinha chamada coração?), toda amassada, coitada! Assim que vi o papelzinho rosa, abri um sorriso gostoso. Um daqueles que você conseguia tirar tão fácil de mim. Ah! Cara amiga Felicidade, um sentimento tão forte tomou-me de súbito. Peguei umas roupas e joguei naquela mochila velha. Deixei um bilhete no criado mudo e peguei as chaves do carro. Hoje é sexta-feira, uma sexta-feira linda de sol como nenhuma outra. Sabe o que estou fazendo? Estou indo ao seu encontro! Pode acreditar, é verdade! Eu e a Espontaneidade vamos fazer uma surpresa para você hoje! Não te contei? No finalzinho daquela listinha tinha o celular dela, em questão de segundos já estávamos nos encontrando. Você sabe como é a Espontaneidade, rápida e sagaz como ninguém! Essa surpresa foi idéia dela. Portanto, prepare-se! Neste final de semana vamos colocar a conversa em dia, vamos catar conchinhas na praia como crianças e vamos fazer uma festa do pijama com brigadeiro e guerra de travesseiros! Ah, Felicidade, você não imagina como estou com saudades de você. Saudades do seu abraço do tamanho de um céu estrelado, do seu cuidado de irmã e do seu carinho e paciência com as minhas dúvidas infantis. Só você para me fazer sentir despudoradamente EU. Como pude esquecer tudo isso? Eu sei que quando ele chegou, você deixou de se sentir a vontade. Sei que você nunca acreditou naquele sorriso de menino, naquele abraço maior que uma constelação e naquelas palavras macias como um pudim de leite. Cuidado era o que você sussurrava no meu ouvido. Cuidado menina, você repetia. Ah! Como eu teria nos poupado se tivesse acreditado em você pelo menos por um instante. Mas isso não importa mais. Ele não vai conosco, o bilhete que deixei foi para dizer que estava indo ver você e que não voltaria se você não viesse comigo. Opa! Estou falando demais, tenho que correr! O sol já está se pondo e eu quero te ver ainda hoje, vamos contar estrelas como antigamente, sem nos preocupar com o tic tac impaciente dos relógios. Me espere na sacada e não se esqueça de colocar aquele vestido florido que te dei. Você não o jogou fora, não é? Espero que eu chegue mais rápido que esse e-mail. Você ainda se atrapalha com essas ferramentas dos tempos modernos, não é?!
Abraços!
P.S: na pressa, acho que esqueci o filtro solar. Você sabe como a Espontaneidade é esquecida. Por favor, compre um para mim.

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